terça-feira, 9 de setembro de 2014

Influência lusitana (?) na formação do Brasil.

O documentário baseado no livro O Povo Brasileiro do pesquisador e antropólogo Darcy Ribeiro. Ele abre alas para uma forma diferente de ver a formação do Brasil. Divide-o em partes distintas, identificadas como matrizes (indígena, portuguesa, africana).
A formação pela matriz lusitana mostra um Brasil por suas heranças multiculturais trazidas pela colonização portuguesa, cuja nascente configura a própria formação da nação portuguesa!
Para entendermos o processo que desencadeou a fundação do Estado Português, devemos remontar os acontecimentos que retratam a disputa entre os Romanos, os Lusitanos e Cartagineses pela Península Ibérica, as invasões bárbaras e a “reconquista”; além da importante presença muçulmana na região.
Em Roma...
Os romanos eram povos oriundos da península itálica e se destacavam pelo fato de possuírem um poderoso exército, o que lhes garantiram conquistar e construir um grande império. O seu centro de poder era o Mar Mediterrâneo. Todos os territórios e regiões em sua volta foram dominados progressivamente. Primeiro, toda a península itálica, depois a Grécia, Gália e finalmente Cartago.  A ponto de se expandirem na África, Europa e Ásia.
No ano de 218 a.C, os romanos chegaram à península ibérica entrando pela região onde hoje fica a Espanha. Queriam aumentar o seu domínio na região para ter acesso às riquezas minerais e recrutar escravos para os trabalhos nas cidades em franco crescimento.
Entre os povos que mais resistiram estavam os lusitanos liderados pelo valente Viriato. Contam as narrativas históricas que o guerreiro só fora vencido pela traição de dois dos seus, que foram, para tanto, subornados pelo general romano.  Após a vitória, a anexação completa da península. Que fora dividida em três reinos: Tarraconense, Luzitânia  e Bética.
Os romanos permaneceram na península ibérica por cerca de 700 anos, influenciando, com o seu modo de vida, todos os povos conquistados. Tal influência ficou evidente, especialmente, na língua – o LATIM – que substituíra as línguas nativas; nas leis que foram substituídas pelo direito romano; nas técnicas de construção de e de edificação, como as de estradas e pontes; e planejamento urbano.
Para alguns historiadores, a dominação romana começa a ter fim com o início das invasões barbaras. Contudo, apenas no plano militar posto que os povos germânicos absorveram, ou foram absorvidos, rapidamente, pela herança cultural romana, em especial, a crescente onda cristã.
Bárbaros?
Por volta dos anos 419 d. C estes povos germânicos (Helanos, Vandalos e Suevos) iniciaram as invasões, seguidos pelos visigodos, que chegaram um pouco mais tarde, em 516 d. C. Ao chegarem eles apoderaram-se das propriedades, submetendo os antigos donos à condição de servos. É importante notar que diante das novas relações de poder surge uma nova classe: a Nobreza.
Embora os nobres acumulassem terras e outras posses, lhes faltava o domínio dos sabres acumulados; conhecimento do latim. Eis um forte motivo para a aliança com os bispos cristãos (clero), que representam, de certo modo, a continuação da cultura latina.
Em 711 d. C os árabes entram na península pelo Estreito de Gibraltar, supostamente incentivados por uma aliança momentânea com uma pequena parte de guerreiros visigodos insatisfeita. Foram facilmente dominados com exceção daqueles que se refugiaram nas Astúrias, ao norte da península, de onde, mais tarde desencadeou-se o processo de retomada do território denominado de A Reconquista.
Acho que somos mais mouros que...
A presença muçulmana percebida em nossas casas, ruas e costumes – os árabes e os mouros!
          É importante fazer uma distinção entre os Árabes e os Mouros. Os Mouros eram povos que habitavam a Mauritânia que ficava a noroeste da África, enquanto que os árabes eram provenientes da península arábica. Embora, a partir do século VII, eles passem a compartilhar a mesma religião, o islamismo.
             A herança cultural deixada pelos dois povos na península pode ser vista muito abertamente nas artes, na arquitetura, no vocabulário e principalmente na introdução de técnicas de captação, armazenamento e distribuição de água, moinhos de vento, espécies de arvores e frutos nativos do oriente e trazidos por Portugal para o Brasil.
A presença moura era considerada invasora pelos habitantes da península. A conivência entre muçulmanos e cristãos era bastante conturbada e isso levou estes últimos a organizarem uma resistência ao norte da península, na região das Astúrias. A guerra entre cristãos e muçulmanos tomou ares de uma verdadeira cruzada contra os “invasores infiéis”. A chamada “reconquista”, ao passo que devolvera aos povos peninsulares as suas propriedades, restituíra o regime de servidão à antiga nobreza.
 Por Mauro A. Marques e Francisca Costa.

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